Chegou uma época do ano maravilhosa (com um pouco de ironia) pra sermos quem somos e colocar os limites que precisamos e ainda não havíamos tido coragem.
"Ai, mas o mais importante é a família, a união, etc." O mais importante é você estar se sentindo em segurança (física, mental, espiritual) com acolhimento. Tanto das pessoas em volta como consigo.
A gente não se cura seguindo no mesmo lugar que nos adoece.
Férias para descansar, não para sustentar relações que cansam
Férias são pra se permitir descansar. Se as pessoas ou lugares que você costuma frequentar nessa época do ano não te acolhem nem te fortalecem, então não são as pessoas e os lugares ideais pra continuar frequentando.
Paz pra cabeça, sabe? Isso não é egoísmo. É higiene emocional. É reconhecer que o seu corpo, a sua mente e o seu coração não são infinitos. Eles têm capacidade, têm limite, têm tempo de recuperação.
O que é colocar um limite, na prática
Limite não é briga. Limite não é cortar pessoa. Limite é uma frase clara que diz: "até aqui, sim; daqui pra frente, não".
- Não ir a todo almoço de família que cabe na agenda. Ir naquele que te faz bem.
- Sair mais cedo, antes da conversa virar discussão. Sem pedir licença com sete frases.
- Não responder a comentário que te dói com mais um comentário. Apenas mudar de assunto.
- Decidir, com antecedência, quanto tempo você vai ficar. E sair quando esse tempo acabar.
- Reservar pelo menos um dia das férias só pra você. Não para a família, não para amigos.
Quando a culpa aparece
Vai aparecer. A culpa de quem coloca um limite pela primeira vez é tão familiar que parece prova de que tá errado. Não tá. Culpa é o eco do que a gente foi ensinada a ser, batendo contra o que a gente tá começando a escolher.
A culpa diminui. Demora, mas diminui. E o que vai aparecendo no lugar é uma sensação mais estranha e mais boa: cansaço comum, em vez de exaustão. Tédio, em vez de irritação. Silêncio que descansa, em vez de silêncio que esmaga.
Sobre o coletivo
Queria eu que essa fosse a realidade possível pra todas as pessoas. E, se nós temos essa realidade, está (mais do que) na hora de pensar em coletivo o que podemos fazer pra que, cada vez mais ao nosso redor, as pessoas se acolham e se fortaleçam.
Que a gente encontre inspiração dentro de si pra procurar (e criar) as melhores saídas. E coragem pra caminhar nessa travessia, seja ela qual for.
Para encerrar
Se o fim de ano te aperta mais do que te aquece, isso não é falha sua. É informação. Sobre o que te faz bem, e sobre o que precisa mudar.
Quando quiser conversar sobre isso, me escreva.
Texto inspirado em uma reflexão publicada originalmente em dezembro de 2023. Conteúdo educativo, não substitui avaliação clínica individual.