Hoje eu preciso falar sobre como é trabalhar na internet sendo mulher.
Fiz um anúncio pra divulgar meu trabalho como psicóloga. Em poucas horas, recebi três abordagens sexualizadas. Homens insistindo em saber meu estado civil, dizendo que "precisam" transformar a sessão num ato sexual pra conseguirem confiar.
Não. Isso não é pedido de ajuda diferente. Isso é importunação sexual.
Psicoterapia não é palco para fantasia
Psicoterapia é um espaço ético, protegido, estruturado. Não é palco pra fantasia. Não é lugar pra sexualizar a profissional. É um setting clínico, com método, compromisso e responsabilidade. Falar de sexualidade faz parte do trabalho, sim, sempre que essa for a demanda. Falar com a sexualidade voltada pra mim, não.
Antes de ser psicóloga, eu sou mulher. E ser mulher na internet significa receber importunação sexual até quando você está falando de saúde mental.
Por que isso importa pro site, pra clínica, pro processo
Se você é mulher e tá lendo isso pensando em começar terapia: eu te entendo. A desconfiança é uma resposta inteligente a um mundo que reiteradamente viola a gente. E exatamente por isso eu reafirmo o óbvio aqui, em letras claras: o meu consultório online é um espaço seguro pra mulheres falarem de qualquer coisa, inclusive de sexualidade, sem que isso vire risco.
Se você é homem e tá lendo isso pensando em começar terapia: bem-vindo também. Comigo a regra é a mesma pra todo mundo. Respeito não é opcional. A escuta é ampla, profissional, sem julgamento. E o limite é claro.
O que faço quando acontece
Denuncio. Bloqueio. Registro BO quando faz sentido. Não normalizo, não minimizo, não dou "uma chance". Não preciso. A psicoterapia é regulamentada justamente pra proteger a relação clínica, e eu uso essa proteção.
Compartilho isso porque naturalizar pequenas invasões também adoece. E porque mulheres que pensam em virar profissionais da saúde mental, ou que já são, precisam saber que não estão sozinhas nessa.
Se você sofreu importunação ou assédio
Se você está chegando aqui depois de viver uma situação parecida, no trabalho, na rua, em qualquer lugar: você não exagerou. Não foi culpa sua. E você não precisa "ter certeza absoluta" pra falar sobre isso na terapia. A gente nomeia junto, no seu tempo.
Em situações de violência atual ou risco, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190. Você pode também procurar a Delegacia Especializada da sua região.
Se quiser começar um processo terapêutico em um espaço seguro, me escreva.
Texto inspirado em uma reflexão publicada originalmente em março de 2026. Em situação de risco, ligue 180 ou 190.