Quando você decide iniciar um processo psicoterapêutico, está escolhendo com quem vai atravessar partes sensíveis da sua história. Essa escolha merece critério. Não por desconfiança, mas por cuidado consigo mesma.
Existe uma frase que costumo repetir nos meus atendimentos e textos: todo psicólogo é terapeuta, mas nem todo terapeuta é psicólogo. Ela parece pequena, mas diz muito sobre a confusão saudável que precisa ser desfeita.
O que é Psicologia, na prática profissional
Psicologia é uma profissão regulamentada no Brasil. Para se tornar psicólogo, são necessários cinco anos de formação acadêmica, estágio clínico supervisionado, estudo sistematizado sobre sofrimento psíquico e funcionamento humano, compromisso com um código de ética e, ao final, registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP) da sua região.
Sem esse registro, ninguém pode se apresentar como psicólogo, oferecer psicoterapia ou emitir diagnóstico psicológico. Isso é lei. É a forma como o Estado garante que o seu cuidado emocional terá base técnica e responsabilidade profissional.
Seu zelo com a saúde emocional e psicológica merece base, ética e sustentação.
O que é psicoterapia
Psicoterapia é um processo clínico, com manejo do sofrimento, escuta técnica e responsabilidade diante da vulnerabilidade da outra pessoa. Não é conselho. Não é coaching. Não é orientação espiritual. Não é leitura energética. É um processo regulamentado, sustentado por uma teoria, uma técnica e um vínculo terapêutico.
Isso não significa que outras práticas de cuidado não tenham valor. Significa apenas que elas são outra coisa. Quando se apresentam como "terapia" sem deixar claro que não envolvem psicologia clínica, podem confundir quem busca cuidado e, no limite, adiar ou substituir um atendimento que era necessário.
Como verificar se um profissional é mesmo psicólogo
É simples. Todo psicólogo registrado tem um número de CRP no formato CRP XX/YYYYY, em que XX é a região e YYYYY é o registro individual. Você pode consultar esse número direto no site do Conselho Regional da sua região (no meu caso, é o CRP 12, de Santa Catarina) ou no site do CFP, que centraliza a busca nacional.
Profissionais sérios divulgam o CRP em todo lugar: site, redes sociais, materiais de divulgação, recibo. Isso não é vaidade, é compromisso com a transparência.
O que fazer quando algo soa errado
Se você suspeita que está sendo atendida por alguém que se apresenta como psicólogo sem o ser, ou que está agindo fora dos limites éticos da profissão, você pode (e deve) denunciar. O canal correto é o Conselho Regional de Psicologia da região onde o profissional atua. A denúncia é protegida e protege outras pessoas.
Por que essa conversa importa
Porque a sua saúde mental não é território para improvisação. Buscar ajuda já é, por si só, um ato de coragem. Esse ato merece ser recebido por quem tem formação, técnica e ética para sustentar o que vai aparecer.
Aqui, isso não é detalhe. É fundamento.
Se quiser conversar sobre como iniciar um processo, me escreva.
Aline Ferreira Gomes, Psicóloga, CRP 12/12966.